Thursday, May 21, 2009

Portugal: parlamento volta a debater reforma ortográfica

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Apesar de o tema ter sido amaplamente discutido entre países que têm a língua portuguesa como oficial, o Acordo Ortográfico – em vigor no Brasil desde janeiro – teve novo revés. Quarta-feira, o Parlamento português discutiu uma proposta de renegociação da reforma, mesmo tendo sida aprovada por governo e Assembleia da República. Ao final da discussão, o Partido Socialista se viu isolado a favor do novo acordo.

Segundo a BBC Brasil, na proposta, que chegou ao Parlamento graças à uma petição assinada por 113.206 portugueses (são necessárias 5 mil assinaturas), pede-se que o governo reveja os pontos da reforma ortográfica, considerados pelos organizadores do abaixo-assinado contraditórios.

– Pede-se que o governo abra negociações com o objetivo da revisão dos termos do acordo. Na nossa opinião, o acordo teria de ser revogado porque é um acúmulo de disparates – explica o deputado Vasco Graça Moura, um dos organizadores do abaixo-assinado.

De acordo com Moura, a “petição foi discutida na Comissão de Ética e Sociedade da assembleia e o relatório do deputado Barreiras Duarte, que dá razão à petição, foi aprovado por unanimidade”.

Dos países lusófonos, apenas o Brasil deu início oficialmente ao período de transição da aplicação do acordo. Portugal, Brasil, São Tomé e Cabo Verde são os países de língua portuguesa que já aprovaram o acordo. A data para o início do período de transição ainda não foi determinada em Portugal. Em entrevista à Lusa, uma fonte dos peticionários disse que o debate no Parlamento poderá alterar algumas “situações caóticas” que o acordo prevê.

– Se os fundamentos científicos e linguísticos que sustentam a petição forem tidos em conta, poderá impedir-se o caos ortográfico que acontecerá, de um e outro lado do Atlântico, se o acordo for integralmente avante – observou.

Segundo o documento final, a reforma “enferma de vícios suscetíveis de gerarem a sua patente inconstitucionalidade”. Para os assinantes da petição, as justificativas para acordo são falsas: discordam de que ele vai ajudar a combater o analfabetismo com a simplificação e ajudar a língua portuguesa a se impor como língua internacional. Também dizem que a justificativa para a adoção não tem base científica.

Entre as principais queixas dos críticos ao acordo está a de que a eliminação de “p” e “c” não pronunciados em palavras como “óptimo”, “Egipto”, “acto” ou “facção” abandona a etimologia das palavras

21:50 - 20/05/2009

JB OnLine

Tuesday, March 10, 2009

Ortografia é unificada, mas e a fala?

Vídeo produzido pela BBC Brasil durante o especial sobre o acordo ortográfico compara a questão da ortografia com as grandes diferenças na fala que há entre os países de língua portuguesa. Apesar de já ter gerado controvérsias nos Estados lusófonos, como o manifesto assinado por mais de 100 mil portugueses contra a junção da língua, o Novo Acordo Ortográfico será implantado. Já as falas continuarão diferentes. O vídeo ainda diz que a troca cultural no mundo lusófono pode facilitar a compreensão, além de relatar que os portugueses têm maior facilidade em entender os brasileiros do que o contrário.

Confira as matérias, áudios e vídeos da BBC Brasil, feitas pela jornalista Iracema Sodré:

* Grafia dos jovens pode comprometer português? Vídeo - Duração: 01:58
* Ouça o que jovens de 5 países dizem sobre reforma. Áudio - Duração: 09:01
* Ritmo de Angola influencia linguagem em Portugal. Vídeo - Duração: 03:37
* A ortografia vai ser unificada. Mas e a fala? Vídeo - Duração: 02:18
* Panorama BBC Especial discute o acordo ortográfico. Áudio - 24:49
* Baixe o arquivo de áudio do Panorama BBC especial
* BBC Brasil visita biblioteca em Coimbra. Vídeo - Duração: 03:21
* Língua mirandesa resiste em Portugal. Vídeo - Duração: 02:59
* Adoção da reforma em Portugal continua indefinida.
* Acordo ortográfico ainda desperta polêmica no exterior.

Boletim PNLL

Thursday, February 19, 2009

Portugal planeja aplicar reforma ortográfica 'em meses'

Portugal deverá começar a aplicar o acordo ortográfico ainda neste semestre, segundo informou nesta terça-feira o ministro da cultura português, José António Pinto Ribeiro.

A data para a implementação está sendo negociada com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, os outros dois países que já ratificaram o acordo, de acordo com o porta-voz do ministro.

"Estamos negociando para publicar no diário oficial dos três Estados no mesmo dia", disse Rui Peças, assessor de imprensa do ministro, à BBC Brasil.

Peças disse ainda que, apesar de Brasil, Cabo Verde e São Tomé terem entregue em Portugal os instrumentos de ratificação do acordo, o Diário Oficial português ainda não publicou essa informação.

Corretor ortográfico

A declaração do ministro foi feita na apresentação do primeiro programa de computador português para correção de textos adaptado ao novo acordo ortográfico.

Produzido por uma editora que publica dicionários e livros escolares, o programa começou a ser vendido ao preço de 70 euros (cerca de 206 reais).

Segundo Peças, dos quatro países que ainda não ratificaram o acordo, Timor Leste está mais adiantado.

Também não está definido se Portugal vai ter um consultor para resolver os casos que o acordo deixou em aberto (como os hífens de alguns prefixos), cargo exercido pelo acadêmico Evanildo Bechara no Brasil.

Na aplicação do acordo, outra área que ainda não tem prazo para ser realizada é a compilação do vocabulário científico e técnico comum aos oito países de língua portuguesa.

Segundo Peças, uma reunião da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa realizada em novembro aprovou a formação de uma comissão que deve compilar o vocabulário e definir as palavras comuns, mas até agora seus membros não foram indicados pelos países.

Jair Rattner
De Lisboa para a BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/

Nota da edição: Versos & Acordes informa que no site umportugues.com, criado por Aurélio (Verde), há um corretor ortográfico, de graça.

Wednesday, January 21, 2009

Adaptação ao Novo Acordo Ortográfico é feita de forma gradual

Apesar de estar em vigor desde o dia 1º de janeiro, o Novo Acordo Ortográfico ainda não é adotado por grande parte das instituições brasileiras.

De acordo com o Estadão.com.br, alguns órgãos como o Museu da Língua Portuguesa, algumas secretarias estaduais e o Governo Federal ainda utilizam-se da norma antiga, enquanto o Diário Oficial da União e o do Estado de São Paulo optaram por utilizar as duas formas.

Em relação ao mercado editorial, o jornal DCI destaca o custo estimado para a implantação da nova ortografia: cerca de R$ 60 milhões, considerando apenas a revisão de conteúdo e a rediagramação.

E para a BBC, ainda há incertezas sobre a sua adoção nos outros países do mundo lusófono.

Para conferir um resumo das novas regras, visite http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/12/31/materia.2008-12-31.5664708504/view

Wednesday, January 07, 2009

Nova língua chega às salas de aula

MEC distribui já este ano material sobre a reforma ortográfica. Prazo para adaptação é de quatro anos

Natalia von Korsch

Rio - Quando o ano letivo começar, em fevereiro, os estudantes do Rio travarão os primeiros contatos com a nova Língua Portuguesa, em vigor desde quinta-feira. Na rede pública, os livros didáticos adaptados só começarão a ser distribuídos em 2010, mas o MEC já prepara material com instruções sobre a reforma para uso em sala de aula. A definição completa das regras pela Academia Brasileira de Letras sairá apenas mês que vem.

A secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, disse que usará os 29 mil notebooks distribuídos aos mestres do município para realizar essa capacitação: “Já no primeiro bimestre, esse conteúdo começa a ser repassado gradativamente aos alunos de todas as séries”. A Secretaria Estadual de Educação, por sua vez, aguardará a definição completa das mudanças e já recomendou às escolas que não se comprem gramáticas, em virtude de todas as alterações não terem sido fixadas.

Em 2010 chegarão os novos 70 milhões de livros dos alunos do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental. Os do sexto ao nono ano receberão em 2011. Em 2012, será adaptado o material didático das três séries do Ensino Médio. O Brasil tem 4 anos, até 31 de dezembro de 2012, para se adaptar ao acordo que unifica a grafia da língua nos 8 países que falam o idioma. O português é a sexta língua mais falada do mundo, usada por 230 milhões de pessoas.

VESTIBULAR, SÓ EM 2012

O chefe do departamento de Língua Portuguesa do Colégio Pedro II, professor Manoel de Carvalho Almeida, defende que os alunos comecem a lidar já este ano com as novas regras: “As alterações não são tão profundas em relação ao português do Brasil. Vale a pena investir quando as regras estiverem todas definidas para que os alunos comecem a se familiarizar”.

Algumas editoras já estão lançando livros didáticos, dicionários e gramáticas adaptados ao acordo. A maioria das escolas particulares começará o ano abordando o assunto em sala. “Pretendemos introduzir a nova ortografia a partir deste ano. Não acho que demorarão a se adaptar. Não vamos cobrar a nova regra em provas e redações: só será exigida nos vestibulares a partir de 2012”, diz a professora Maria Lúcia Nunes da Silva, coordenadora de Português do Centro Educacional da Lagoa (CEL).

PUBLICAÇÕES SEM VALIDADE

Apesar de várias publicações já estarem sendo editadas com as novas regras, elas não terão sua validade reconhecida até a publicação do ‘Vocabulário ortográfico da Língua Portuguesa’, da Academia Brasileira de Letras, que será lançado em fevereiro e esclarecerá pontos obscuros do acordo, como o uso do hífen.

Como algumas das modificações ainda dependem de uma definição mais precisa, qualquer publicação lançada antes de um esclarecimento oficial poderá ser considerada incompleta.

“O problema do hífen poderia ter sido resolvido definitivamente, porque não é um conjunto de regras 100% eficiente”, explica o filólogo e professor da Uerj José Pereira da Silva.

O presidente da Comissão de Língua Portuguesa do MEC, Godofredo de Oliveira Neto, elogia a mudança: “O importante é o reforço da língua nos fóruns internacionais. Os documentos da ONU estão em português do Brasil e de Portugal”.

http://odia.terra.com.br/rio/htm/nova_lingua_chega_as_salas_de_aula_221600.asp

Sunday, August 17, 2008

Padronização da Grafia - Dúvidas sobre as novas regras ortográficas

Grafia deve ser padronizada em oito países de língua portuguesa
Portal MEC - Ana Guimarães

As normas estabelecidas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrarão em vigor, no Brasil, no próximo ano. Para estabelecer as regras do período de transição para a nova grafia, previsto para durar três anos, será assinado um decreto. Os ministérios da Educação, da Cultura e das Relações Exteriores irão fixar orientações para que a sociedade se adapte às mudanças previstas pelo novo acordo. Está aberta uma consulta pública para que os interessados encaminhem dúvidas ou sugestões sobre o processo de transição da norma ortográfica atual para a nova. O contato com o Ministério da Educação pode ser feito até o dia 1º de setembro pelo endereço eletrônico: acordoortografico@mec.gov.br.

As sugestões encaminhadas ao MEC podem ser incorporadas ao decreto que regulamentará o período de transição. A língua portuguesa é falada por cerca de 220 milhões de pessoas em todo o mundo - aproximadamente 190 milhões no Brasil. O acordo é considerado um marco de unificação entre os países de língua portuguesa - Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal. O acordo foi assinado, inicialmente, em 1990 pelos sete países que tinham o português como idioma oficial - o Timor Leste ainda não era nação independente.

Em razão das diferenças entre as grafias desses países, é grande a dificuldade na difusão da língua. A intenção do acordo é facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre as nações e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em língua portuguesa.

Livro didático - O Brasil tem o maior programa de distribuição gratuita de livros didáticos do mundo. Este ano, já foram apresentadas ao Ministério da Educação propostas de obras com a nova grafia. São mudanças como o fim do uso do trema e do acento em algumas palavras, como enjôo, idéia, heróico e outras.

No primeiro semestre de 2009, o Guia do Livro Didático será enviado às escolas já com todas opções de obras impressas segundo as novas regras ortográficas. Os livros serão destinados aos estudantes do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. Escolhidos pelas escolas, como de costume, estarão nas salas-de-aula em 2010.

Em 2011, os estudantes do sexto ao nono ano também terão livros publicados conforme as regras previstas pelo acordo. Em 2012, será vez do ensino médio.

Abrelivros

Thursday, June 26, 2008

Nova ortografia atrapalha negócios das editoras

Valor Econômico - Beth Koike | 12.6.2008 | 14h20

Aprovado em março, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa provoca uma corrida contra o tempo nas editoras de livros didáticos. Apesar de o uso das novas regras ser obrigatório nas escolas apenas em 2010, as editoras precisam apresentar os livros com as alterações já no próximo dia 4 ao Ministério da Educação para participar dos programas governamentais, que somente no ano passado registraram compras no valor de R$ 882 milhões.

"O problema é que estamos trabalhando em duas frentes ao mesmo tempo: as novas regras ortográficas que acabaram de ser aprovadas e o ensino fundamental de nove anos, cujo formato dos livros foi definido em janeiro", explica Antonio Nicolau Youssef, diretor editorial das editoras IBEP e Companhia Nacional. Youssef prevê um gasto de cerca de R$ 3,5 milhões para readequar a ortografia das publicações da IBEP, que trabalha exclusivamente com livros escolares e conta com 380 diferentes títulos, e da Nacional, que possui 628 catálogos.

Nesse montante, está incluso o investimento que a IBEP fará nos livros didáticos a serem distribuídos no próximo ano. "Como 2009 será um ano transitório e o conteúdo das publicações para as escolas não pode ser modificado, estamos criando encartes com um resumo das novas regras para serem anexados aos livros entregues no próximo ano", diz Youssef.

A editora FTD, a segunda maior vendedora de livros do ensino fundamental para o governo, também colocará encartes em suas publicações no próximo ano. "É uma forma de alertar os professores das mudanças que começam a valer em 2010. Os lançamentos já virão com as novas regras", explica Silmara Vespasiano, gerente-editorial da FTD, que não revelou os investimentos da empresa.

Apesar de as novas regras modificarem apenas 0,4% do vocabulário no Brasil, segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), várias editoras terão que carregar um encalhe de livros escritos com a ortografia atual. A editora IBEP prevê chegar em 2010 com um encalhe de 180 mil exemplares. "Não dá para fazer remendos e mandar aos alunos. Provavelmente, a maioria será perdida", diz Youssef.

Paralelamente ao prazo apertado que, inicialmente era no começo deste mês e foi prorrogado em quatro semanas a pedido do setor, outra questão que está deixando as casas editoriais apreensivas diz respeito às novas regras ortográficas propriamente ditas. Ainda há várias dúvidas, principalmente, em torno do hífen. Exemplos: mandachuva perderá o hífen, porém guarda-chuva permanecerá separado, apesar de em ambos os casos a primeira palavra ser um verbo. "Quando se perde a noção do primeiro elemento (palavra), usa-se o hífen. Mas, compreendo que essa interpretação é subjetiva e pode provocar confusão", explica o professor Godofredo de Oliveira Neto, presidente da Comissão de Língua Portuguesa do MEC.

Diante de tantas dúvidas, a Abrelivros, entidade que reúne as editoras de livros escolares, solicitou ao governo que o uso incorreto das novas regras não seja considerado um item eliminatório no processo de licitação dos programas de compras de livros. O Ministério da Educação aceitou o pedido. Pelo Acordo, livros com a atual e a nova ortografia poderão circular nas escolas públicas de forma conjunta até dezembro de 2011, já que a distribuição dos títulos é feita em média a cada três anos nas escolas públicas.

A confusão é grande porque dúvidas sobre o idioma costumam ser sanadas, por autores de livros e revisores, em uma publicação chamada VOLP (Vocabulário de Língua Portuguesa), produzida pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Mas ainda não há um VOLP que considere as novas regras.

"Já estávamos finalizando a quinta edição do VOLP quando surgiram as mudanças. O problema é que o Acordo ainda não foi assinado pelo presidente Lula e só podemos lançar o novo VOLP depois dessa assinatura. Nossa previsão é lançar em novembro" diz o gramático Evanildo Bechara, responsável pelo Acordo Ortográfico no Brasil e acadêmico da ABL. "Não podemos correr o risco de colocar uma publicação no mercado sem a assinatura do presidente", pondera Bechara, que também está em busca de apoio financeiro para lançar a publicação.

Em um evento organizado pela Câmara Brasileira do Livro em abril, o Assessor Especial do Ministério da Educação, Carlos Alberto Xavier, disse que ainda neste mês de junho o MEC deverá publicar um decreto implementando o Acordo para que o projeto entre em vigor a partir de 2009, com exceção para os livros didáticos, cuja obrigatoriedade começa em 2010.

"A proposta da Comissão é que o Acordo comece a vigorar em 2009, mas ainda não está definido se será obrigatório. O presidente Lula pode mudar esses prazos quando for assinar o projeto", diz o representante da Comissão de Língua Portuguesa do MEC. Existe a possibilidade de o projeto ser oficializado em um evento reunindo Lula e o presidente Cavaco Silva, de Portugal, país em que as regras devem começar a vigorar daqui seis anos.

Fonte: Abrelivros

Sunday, May 18, 2008

Parlamento português aprova acordo ortográfico

16 de maio, 2008 - 18h09 GMT (15h09 Brasília)

Passados 16 anos desde a assinatura, Portugal aprovou nesta sexta-feira o acordo ortográfico, que unifica a forma como é escrito o português nos países lusófonos.

Apesar de polêmico, o texto foi aprovado por deputados de todos os quadrantes políticos – desde o CDS à direita, até o Bloco de Esquerda – com três votos contra e muitos deputados abandonando o plenário durante a votação.

As mudanças na forma de escrever o idioma em Portugal vão valer dentro de seis anos, enquanto no Brasil os livros escolares deverão ser mudados até 2010.

Questionado sobre o acordo, o escritor José Saramago, prêmio Nobel de literatura, optou por não entrar em polêmica: "Vou continuar escrevendo do mesmo jeito. Isso agora vai ser com os revisores".

Vitória brasileira?

Houve grande polêmica em Portugal. A iniciativa contrária à reforma com maior impacto no país foi uma petição na internet, que tentava convencer parlamentares a votar contra o acordo.

O documento, que criticava a proposta por entender que este significava que Portugal cedia aos interesses brasileiros, teve mais de 35 mil assinaturas desde o início do mês, grande parte delas de intelectuais.

"A língua portuguesa é o maior patrimônio que Portugal tem no mundo", afirmou o deputado Mota Soares, do partido CDS.

Ironicamente, dois deputados que encabeçaram a petição – Zita Seabra e Vasco Graça Moura – não estavam no plenário na hora da votação.

Zita Seabra disse que, como é proprietária de uma editora, havia conflito de interesses para votar o texto.

Alterações

Os estudos lingüísticos que basearam o acordo indicam que os portugueses terão mais modificações do que os brasileiros. O dicionário português terá de trocar 1,42% das palavras, enquanto no Brasil apenas 0,43% sofrerão mudanças.

Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o "c" em acto, direcção e selecção, e o "p" em excepto.

A nova norma acaba com o acento no "a" que diferencia o pretérito perfeito do presente (em Portugal, escreve-se passámos, no passado, e passamos, no presente).

Algumas diferenças vão continuar. Em Portugal, polémica e génesis manterão o acento agudo – o Brasil continuará escrevendo com o circunflexo.

Os portugueses manterão o "c" em facto – fato em Portugal é roupa – e vão tirar o "p" que no país não é pronunciado na palavra recepção.

Atraso

Aprovar as mudanças foi um longo processo. O conteúdo do acordo já tinha sido aprovado há 16 anos, mas não podia entrar em vigor sem que os parlamentos ratificassem o protocolo modificativo.

O protocolo previa que o acordo entrasse em vigor quando três países aprovassem o acordo – e não todos os que falam o português, como estava no texto original. No ano passado, São Tomé e Príncipe foi o terceiro a aprovar o acordo, dando validade ao documento.

Para o governo português, a aprovação do acordo é o primeiro passo para existência de uma política internacional da língua portuguesa, que será anunciada quando Portugal assumir a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em julho deste ano.

"É necessário agora desenvolver uma política de internacionalização, consolidação e aprofundamento da língua portuguesa, e o acordo ortográfico é um instrumento para isso", afirmou o ministro da Cultura, Antônio Pinto Ribeiro.

Jair Rattner
De Lisboa para a BBC Brasil

Sunday, March 30, 2008

MEC quer reforma ortográfica a partir de 2009

Comissão do MEC quer reforma ortográfica a partir de 2009
Portal G1 - Simone Harnik 28.3.2008 17h13

A Comissão de Língua Portuguesa (Colip) do Ministério da Educação (MEC) enviou uma proposta nesta quarta-feira (26) para que a reforma ortográfica entre em vigor em 1º de janeiro de 2009. De acordo com o presidente da Colip, Godofredo de Oliveira Neto, o período de transição entre a norma lingüística atual e a nova é de três anos.

A medida precisa ainda passar por avaliação dos ministros da Educação, da Cultura e das Relações Exteriores, para seguir para sanção presidencial. “Deve ser rápido o processo. Estimo um mês para que a proposta passe por todos os trâmites. É a única proposta feita e não tem outra na mesa”, afirma Oliveira Neto.

A reforma ortográfica no Brasil é decorrência de um acordo ortográfico internacional que pretende unificar os textos escritos nos oito países de língua portuguesa (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal). A discussão internacional sobre as normas lingüísticas acontece desde 1994.

De acordo com o texto da Colip, a partir de 2009 todos os textos produzidos já devem ser escritos na nova norma, com algumas exceções. Vestibulares, concursos e avaliações deverão aceitar as duas regras como corretas até 31 de dezembro de 2011.

Os livros didáticos distribuídos pelo governo em 2009 para o ensino médio poderão estar escritos na norma antiga. Como a compra de livros não acontece todos os anos para todas as séries, espera-se que os estudantes do ensino médio possam utilizar a norma atual até 2011.

Já estudantes do ensino fundamental deverão receber material didático adaptado às normas do acordo ortográfico a partir de 2010.

Vai ou não vai?

No final do ano passado, a própria Colip, que quer as regras em vigor já em 2009, entendeu que deveria esperar Portugal para reformar a língua.

"A Colip acha que não é mais necessário esperar. Já esperamos mais um ano, pois podíamos ter aplicado em 2007. Mas por uma razão de fraternidade, o Brasil esperou Portugal. A boa vontade política do Brasil ficou estampada", disse o escritor e professor Oliveira Neto.

O que muda com o acordo?

O novo alfabeto vai incorporar o “k”, o “w”, e o “y”, ficando, então, com 26 letras. Haverá a supressão de acentos diferenciais, como o de “pára”, do verbo parar; de acentos agudos em ditongos como o de idéia (virará “ideia”); e do circunflexo em “vôo” ou “crêem”; além de mudanças com o hífen.

E o trema (aqueles dois pontinhos que ficam sobre o “u” de lingüiça, por exemplo) desaparecerão.

O histórico do acordo

O acordo ortográfico foi assinado em 1990 e entraria em vigor em 1994, com a ratificação dos sete países que o assinaram - na época, o Timor Leste ainda não era independente.

Passaram os anos e, em 2004, foi assinado um protocolo modificativo que determinava que o acordo entraria em vigor quando três países tivessem ratificado – o que já fez o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o último em dezembro de 2006. O Brasil foi o primeiro a ratificar o acordo, em 2004.

Legalmente, todas as mudanças que buscam unificar o registro escrito nos oito países que falam português - Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal - já poderiam estar valendo. Isso porque o que foi firmado internacionalmente é que, se três países assinassem o acordo, ele poderia entrar em vigor.

No entanto, no ano passado, o Brasil definiu que, sem a implantação das normas por Portugal, o acordo teria pouca utilidade e, na prática, não unificaria realmente as normas ortográficas. Agora a posição brasileira é de adotar as normas, mesmo antes do governo português adotá-las.

Abrelivros.

Sunday, March 09, 2008

Portugal dá aval à reforma ortográfica

O fim do trema em todo o vocabulário e de acentos em palavras como "vôo", "idéia" e "lêem" ficou mais próximo ontem, com a decisão do conselho de ministros de Portugal de aderir ao acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa firmado em 1991.

A ratificação do texto pelo país depende ainda da aprovação pelo Parlamento da proposta elaborada pelos ministros. Se passar pelo Legislativo, o texto será submetido ainda ao presidente da República. Mas, segundo declarou à agência Lusa o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, "com a decisão agora tomada, o governo português está a exprimir a sua vontade política de se juntar aos outros Estados da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]".

No Brasil, o acordo ortográfico já foi aprovado pelo Congresso e, em tese, está em vigor, uma vez que, para isso, basta a assinatura de três países da CPLP. Além do Brasil, já ratificaram o texto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

A implantação, porém, era adiada devido à não-adesão de Portugal. "Os países todos esperam Portugal, até porque se trata do país matriz do português", disse à Folha Luís Fonseca, secretário-executivo da CPLP. "Senão, estaríamos em uma situação bizarra de o acordo nos levar a três ortografias."

Os ministros portugueses estimam um prazo de seis anos para a implementação das mudanças. No Brasil, pode estar presente nos livros didáticos já daqui a dois anos. O MEC disse ontem que o ministro Fernando Haddad se reunirá com representantes do Ministério da Educação português para definir um cronograma de implantação gradual.

Ainda não há um cronograma para a alteração das regras em outros escritos, como dicionários e obras literárias, afirma Nazaré Pedrosa, assessora internacional do Ministério da Cultura. "A adoção de uma nova ortografia tem de se dar de uma forma normal, não impositiva nem dramática."

Professores terão de ser treinados para ensinar as alterações, e todos terão de reaprender a ortografia, mas, para ela, não é preciso criar "alarme", já que, argumenta, todos se adaptaram à reforma de 1971. A reforma também será vantajosa, diz, para a adoção do português como língua de trabalho em organismos internacionais.

Folha de São Paulo - Angela Pinho 7.3.2008 17h02