Comissão do MEC quer reforma ortográfica a partir de 2009
Portal G1 - Simone Harnik 28.3.2008 17h13
A Comissão de Língua Portuguesa (Colip) do Ministério da Educação (MEC) enviou uma proposta nesta quarta-feira (26) para que a reforma ortográfica entre em vigor em 1º de janeiro de 2009. De acordo com o presidente da Colip, Godofredo de Oliveira Neto, o período de transição entre a norma lingüística atual e a nova é de três anos.
A medida precisa ainda passar por avaliação dos ministros da Educação, da Cultura e das Relações Exteriores, para seguir para sanção presidencial. “Deve ser rápido o processo. Estimo um mês para que a proposta passe por todos os trâmites. É a única proposta feita e não tem outra na mesa”, afirma Oliveira Neto.
A reforma ortográfica no Brasil é decorrência de um acordo ortográfico internacional que pretende unificar os textos escritos nos oito países de língua portuguesa (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal). A discussão internacional sobre as normas lingüísticas acontece desde 1994.
De acordo com o texto da Colip, a partir de 2009 todos os textos produzidos já devem ser escritos na nova norma, com algumas exceções. Vestibulares, concursos e avaliações deverão aceitar as duas regras como corretas até 31 de dezembro de 2011.
Os livros didáticos distribuídos pelo governo em 2009 para o ensino médio poderão estar escritos na norma antiga. Como a compra de livros não acontece todos os anos para todas as séries, espera-se que os estudantes do ensino médio possam utilizar a norma atual até 2011.
Já estudantes do ensino fundamental deverão receber material didático adaptado às normas do acordo ortográfico a partir de 2010.
Vai ou não vai?
No final do ano passado, a própria Colip, que quer as regras em vigor já em 2009, entendeu que deveria esperar Portugal para reformar a língua.
"A Colip acha que não é mais necessário esperar. Já esperamos mais um ano, pois podíamos ter aplicado em 2007. Mas por uma razão de fraternidade, o Brasil esperou Portugal. A boa vontade política do Brasil ficou estampada", disse o escritor e professor Oliveira Neto.
O que muda com o acordo?
O novo alfabeto vai incorporar o “k”, o “w”, e o “y”, ficando, então, com 26 letras. Haverá a supressão de acentos diferenciais, como o de “pára”, do verbo parar; de acentos agudos em ditongos como o de idéia (virará “ideia”); e do circunflexo em “vôo” ou “crêem”; além de mudanças com o hífen.
E o trema (aqueles dois pontinhos que ficam sobre o “u” de lingüiça, por exemplo) desaparecerão.
O histórico do acordo
O acordo ortográfico foi assinado em 1990 e entraria em vigor em 1994, com a ratificação dos sete países que o assinaram - na época, o Timor Leste ainda não era independente.
Passaram os anos e, em 2004, foi assinado um protocolo modificativo que determinava que o acordo entraria em vigor quando três países tivessem ratificado – o que já fez o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o último em dezembro de 2006. O Brasil foi o primeiro a ratificar o acordo, em 2004.
Legalmente, todas as mudanças que buscam unificar o registro escrito nos oito países que falam português - Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal - já poderiam estar valendo. Isso porque o que foi firmado internacionalmente é que, se três países assinassem o acordo, ele poderia entrar em vigor.
No entanto, no ano passado, o Brasil definiu que, sem a implantação das normas por Portugal, o acordo teria pouca utilidade e, na prática, não unificaria realmente as normas ortográficas. Agora a posição brasileira é de adotar as normas, mesmo antes do governo português adotá-las.
Abrelivros.
Sunday, March 30, 2008
MEC quer reforma ortográfica a partir de 2009
Marcadores:
acordo ortográfico,
Colip,
Comissão de Língua Portuguesa,
reforma ortográfica
Sunday, March 09, 2008
Portugal dá aval à reforma ortográfica
O fim do trema em todo o vocabulário e de acentos em palavras como "vôo", "idéia" e "lêem" ficou mais próximo ontem, com a decisão do conselho de ministros de Portugal de aderir ao acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa firmado em 1991.
A ratificação do texto pelo país depende ainda da aprovação pelo Parlamento da proposta elaborada pelos ministros. Se passar pelo Legislativo, o texto será submetido ainda ao presidente da República. Mas, segundo declarou à agência Lusa o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, "com a decisão agora tomada, o governo português está a exprimir a sua vontade política de se juntar aos outros Estados da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]".
No Brasil, o acordo ortográfico já foi aprovado pelo Congresso e, em tese, está em vigor, uma vez que, para isso, basta a assinatura de três países da CPLP. Além do Brasil, já ratificaram o texto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
A implantação, porém, era adiada devido à não-adesão de Portugal. "Os países todos esperam Portugal, até porque se trata do país matriz do português", disse à Folha Luís Fonseca, secretário-executivo da CPLP. "Senão, estaríamos em uma situação bizarra de o acordo nos levar a três ortografias."
Os ministros portugueses estimam um prazo de seis anos para a implementação das mudanças. No Brasil, pode estar presente nos livros didáticos já daqui a dois anos. O MEC disse ontem que o ministro Fernando Haddad se reunirá com representantes do Ministério da Educação português para definir um cronograma de implantação gradual.
Ainda não há um cronograma para a alteração das regras em outros escritos, como dicionários e obras literárias, afirma Nazaré Pedrosa, assessora internacional do Ministério da Cultura. "A adoção de uma nova ortografia tem de se dar de uma forma normal, não impositiva nem dramática."
Professores terão de ser treinados para ensinar as alterações, e todos terão de reaprender a ortografia, mas, para ela, não é preciso criar "alarme", já que, argumenta, todos se adaptaram à reforma de 1971. A reforma também será vantajosa, diz, para a adoção do português como língua de trabalho em organismos internacionais.
Folha de São Paulo - Angela Pinho 7.3.2008 17h02
A ratificação do texto pelo país depende ainda da aprovação pelo Parlamento da proposta elaborada pelos ministros. Se passar pelo Legislativo, o texto será submetido ainda ao presidente da República. Mas, segundo declarou à agência Lusa o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, "com a decisão agora tomada, o governo português está a exprimir a sua vontade política de se juntar aos outros Estados da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]".
No Brasil, o acordo ortográfico já foi aprovado pelo Congresso e, em tese, está em vigor, uma vez que, para isso, basta a assinatura de três países da CPLP. Além do Brasil, já ratificaram o texto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
A implantação, porém, era adiada devido à não-adesão de Portugal. "Os países todos esperam Portugal, até porque se trata do país matriz do português", disse à Folha Luís Fonseca, secretário-executivo da CPLP. "Senão, estaríamos em uma situação bizarra de o acordo nos levar a três ortografias."
Os ministros portugueses estimam um prazo de seis anos para a implementação das mudanças. No Brasil, pode estar presente nos livros didáticos já daqui a dois anos. O MEC disse ontem que o ministro Fernando Haddad se reunirá com representantes do Ministério da Educação português para definir um cronograma de implantação gradual.
Ainda não há um cronograma para a alteração das regras em outros escritos, como dicionários e obras literárias, afirma Nazaré Pedrosa, assessora internacional do Ministério da Cultura. "A adoção de uma nova ortografia tem de se dar de uma forma normal, não impositiva nem dramática."
Professores terão de ser treinados para ensinar as alterações, e todos terão de reaprender a ortografia, mas, para ela, não é preciso criar "alarme", já que, argumenta, todos se adaptaram à reforma de 1971. A reforma também será vantajosa, diz, para a adoção do português como língua de trabalho em organismos internacionais.
Folha de São Paulo - Angela Pinho 7.3.2008 17h02
Marcadores:
acordo ortográfico,
cplp,
fim do trema,
Nova ortografia
Monday, March 03, 2008
Escritores africanos divergem sobre Acordo Ortográfico
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa não é necessário segundo o moçambicano Mia Couto.
Segundo Couto, em declaração à agência de notícias Lusa, "o acordo ortográfico tem tanta exceção, omissão e casos especiais que não traz qualquer mudança efetiva". Já o angolano José Eduardo Agualusa defendeu que seu país opte pela ortografia brasileira caso o acordo não seja aplicado por "resistência" de Portugal. Já outro escritor de Angola, Ondjak, segundo a RTP, “considera importante que se faça um acordo ortográfico da língua portuguesa, desde que este seja precedido de um amplo debate para esclarecer as pessoas sobre o que está em causa”.
O Acordo, assinado em 1991 pelos países que falam português, possibilita a criação de normas ortográficas comuns para as variantes da língua portuguesa, facilita a difusão bibliográfica e de novas tecnologias, reduz o custo econômico e financeiro da produção de livros e documentos.
PNLL.
Segundo Couto, em declaração à agência de notícias Lusa, "o acordo ortográfico tem tanta exceção, omissão e casos especiais que não traz qualquer mudança efetiva". Já o angolano José Eduardo Agualusa defendeu que seu país opte pela ortografia brasileira caso o acordo não seja aplicado por "resistência" de Portugal. Já outro escritor de Angola, Ondjak, segundo a RTP, “considera importante que se faça um acordo ortográfico da língua portuguesa, desde que este seja precedido de um amplo debate para esclarecer as pessoas sobre o que está em causa”.
O Acordo, assinado em 1991 pelos países que falam português, possibilita a criação de normas ortográficas comuns para as variantes da língua portuguesa, facilita a difusão bibliográfica e de novas tecnologias, reduz o custo econômico e financeiro da produção de livros e documentos.
PNLL.
Subscribe to:
Posts (Atom)




